Publicidade na era digital

Um universo de possibilidades (digitais). Esse é o horizonte que se abre atualmente para os profissionais do mercado publicitário, graças às transformações provocadas pela internet e as redes sociais nas duas últimas décadas. Aproveitando o Dia do Publicitário, convidamos dois profissionais da área, em momentos distintos da carreira, para refletir sobre as mudanças, desafios e perspectivas da publicidade na era digital!

Testemunha ocular!

Conciliando a carreira acadêmica com a atuação na prática agências e empresas de comunicação, Josué Brazil já acumula 28 anos de experiência no mercado da publicidade e propaganda.

Professor universitário, mestre em Linguística Aplicada, ex proprietário de duas agências, produtor de conteúdo e atual diretor do Departamento de Comunicação Social da Unitau, Brazil testemunhou in loco o surgimento e o impacto das mídias digitais na forma de criar conteúdo. Ele enxerga com otimismo o futuro da profissão, mas alerta que os atuais e novos publicitários devem estar preparados para utilizar os diferentes canais para falar com o público!

O que mudou e o que continua igual na comunicação?

Eu acho que o que continua igual são os fundamentos. Acho que apesar de toda evolução tecnológica que a gente vem vivenciando nos últimos dez anos, principalmente, a base do processo, de como aplicar as técnicas principais e fundamentais, não se alterou. Eu sempre defendo que ter uma boa fundamentação, conhecer as bases da profissão é essencial. Tirando isso, acho que todo o resto mudou. Os impactos tecnológicos na nossa atividade foram gigantescos, principalmente com a chegada da internet e em sequencia as redes sociais, e agora a questão dos dados, big data, analitics, tem sido transformador pra valer. Está até sendo difícil acompanhar toda essa transição.

Quais suas expectativas para o futuro do mercado?

Eu sou muito otimista em relação ao mercado, acho até que havia uma certa descrença em relação as agências de publicidade e aos publicitários. Muita gente abandonou a área, trocou de profissão, foi pro Masterchef (risos).

Mas eu acho que a gente está mudando esse jogo nos últimos dois ou três anos, acho que há uma retomada da valorização do papel do publicitário, até porque quando ouvimos sobre os principais desafios dos próximos anos, a gente escuta falar que a criatividade é a solução para vencer desafios e resolver os problemas. Eu acho que as agências estão se reposicionando e estão assumindo novamente um valor que elas deixaram escapar aí no passado, e também, a diversidade de possibilidades de atuação que os publicitários passam a ter. A gente nunca teve um leque tão grande de opções pra atuar, como a gente tem agora. Acho que caminhamos pra um profissional multiplataforma, com várias habilidades e capacidades, com foco em solução de problemas e criatividade e tá recuperando muito do valor que ele tinha em décadas passadas.

Quais dicas você daria para um jovem que está pensando em fazer uma faculdade de publicidade?

A principal dica é se jogar de cabeça. Percebo que as vezes o pessoal chega na faculdade um pouco receoso, sem saber muito bem o que vai acontecer. Você tem que aproveitar e experimentar muito durante os anos de faculdade, não ser muito restritivo com “eu não gosto disso” ou “eu não gosto daquilo”. É experimentar um pouco de tudo e mergulhar pra valer, levar a sério todas as atividades, todos os trabalhos, acho que é assim que a gente aprende e acaba descobrindo mais rapidamente as nossas aptidões.

E manter o foco na questão de ser multiplataforma, acho que hoje tem que buscar um pouquinho de tudo, ah tudo bem, eu posso não ser o melhor editor de vídeo mas eu vou tentar entender como é que é esse processo e ter um conhecimento sobre isso pra que eu não fique perdido quando eu tiver a necessidade de trabalhar com isso.

Se você pudesse mandar um WhatsApp pra você de dez anos atrás, o que você diria?

Nossa, eu acho que eu ia dizer tanta coisa, meu WhatsApp ia ficar insuportável de ler. Acho que o fundamental é assim: Mantenha a fé. A gente passa por momentos em que a profissão parece que não vai mais e a gente vê a atividade publicitária renascer. O mais importante é isso, mantenha a fé e faça um esforço enorme pra se manter atualizado, que é preciso, não tem jeito. As vezes a gente dá aquela desanimada “Nossa, tanta coisa pra ler, tanta coisa pra assistir, tanta coisa pra ouvir”, mas vai lá, tenta fazer, porque isso é o mais importante. Acho que é isso que eu diria pra mim: “Cara, não desanima!”

Nativo digital

Atualmente com 20 anos de idade e cursando o 4° ano de Publicidade e Propaganda pela Universidade de Taubaté, Patrik Melero possui uma nova plataforma de comunicação, a Helpis (@helpisbr), que visa ajudar as empresas a se comunicarem melhor. Além disso, já atuou em diversas atividades no mercado de comunicação do Vale Paraíba, indo desde setores públicos até indústrias de reconhecimento internacional.

Quais expectativas você tinha no início do curso em relação a publicidade?

Quando eu entrei na faculdade, em 2017, a minha expectativa em relação ao curso de publicidade ainda era muito crua. Eu achava que só as pessoas criativas e inovadoras conseguiriam alcançar alguns cargos maiores nas empresas do setor. Eu via alguns vídeos de alunos explicando mais sobre a publicidade e propaganda e eles falavam que essas pessoas se destacavam mais mesmo e isso acabou de deixando com um pouco de receio. Além disso, a sociedade não reconhece tanto esse profissional de comunicação. Quando eu fui falar pros meus pais a escolha do meu curso, eles falaram “Você tem certeza que você quer isso?”. Eu respondi “Tenho”, mas na minha cabeça eu ficava “Meu Deus eu vou ter que ir pra São Paulo ou algum outro grande centro pra conseguir alguma vaga na área”.

Como aluno do último ano de publicidade, qual sua visão atual e suas expectativas referentes ao mercado?

A minha visão desses últimos três anos de curso, quanto à publicidade é que ela não serve só pra atuação de pessoas inovadoras e criativas. Vai muito mais além disso, as pessoas pensam que publicidade é só propaganda, é só aquele panfleto que você pega na rua e não é isso. A publicidade tem todo um planejamento, uma estratégia, um atendimento e muitas vezes as pessoas não veem esse trabalho todo que o profissional tem. Em relação ao mercado de trabalho, aqui no Vale do Paraíba especialmente, dá pra perceber que as pessoas são receptivas, que as pessoas acolhem o trabalho do profissional de comunicação. Eu tenho minha própria plataforma de comunicação e as pessoas num bate papo, numa reunião, perguntam e tem curiosidade e interesse em saber o papel do profissional publicitário e isso é muito legal.

Quais dicas você daria para alguém que está pensando em fazer uma faculdade de publicidade?

Primeiramente, escolha bem o curso que você quer fazer, escolha aquilo que você sente prazer em fazer. Porque as vezes, lá na frente, você vai perceber que aquilo não é pra você. Quantas vezes durante as aulas eu pensei “Nossa será que é isso mesmo que eu quero?”. E quando eu fui me aprofundar mais sobre o mercado de trabalho, por exemplo, eu percebi que era isso mesmo.

Quase todos os universitários passam por essa fase, essa crise, onde se questionam “Será que é esse mesmo o caminho profissional que eu quero seguir?” E, se você escolher publicidade eu espero que você aproveite ao máximo porque é uma área muito legal.

Se você pudesse mandar um WhatsApp pra você daqui a dez anos, o que você diria?

A mensagem que eu deixaria daqui a dez anos pro meu WhatsApp é: Viu como valeu a pena você fazer as demandas dos seus clientes a tempo, mesmo que trabalhando até tarde da noite. Viu como valeu a pena aquele cansaço e correria de quatro reuniões por dia. Tudo isso influenciou no seu sucesso hoje, então é isso, perseverança e acredite sempre no que você quer e siga em frente, é isso!

Escrito por
Wilson Silvaston, jornalista – Qualicom