A vida (do designer) não é um comercial de margarina

O despertador toca. São sete da manhã. Você acorda e, ainda com sono, arruma a cama, onde descansa um lindo jogo de lençol geométrico e colorido. Bem marcante! Você prepara um café quentinho enquanto se distrai com a embalagem nova dos seus cereais favoritos. Nada mais gostoso do que um café fresco na sua xícara toda diferentona, que parece ter sido criada exclusivamente pra você. Sobre a mesa, uma cartinha do banco. Um envelope bonito, que só de bater os olhos você sabe que é de lá. O mesmo capricho se repete no interior. Um papel timbrado ostentando a logo da empresa. A mensagem… Não tão boa! Seu nome foi para o Serasa por falta de pagamento. Vish, a vida não é um comercial de margarina!

A pequena crônica acima é simples, mas demonstra que estamos cercados por diferentes identidades desde o momento que acordamos – seja um design de estampas, de produto, de embalagem ou de identidades corporativas. Tudo didaticamente categorizado, mas abrangendo muito mais do que seus nomes representam num primeiro momento.

Hoje, o consumo de informações tem uma velocidade grande. A sociedade, as empresas, as ideias e as políticas mudam constantemente e geram diversas incertezas, porque não se tem mais estabilidade. No entanto, tudo está conectado de modo complexo, fazendo com que uma ação tenha grandes consequências. É difícil se planejar, pois não há mais clareza. Existe uma certa ambiguidade. Isso é o mundo VUCA e ele influencia diretamente no design dentro das empresas. Diante desse volume de informações voláteis, como fazer com que os colaboradores recebam as mensagens de onde trabalham e internalizem, executem ou até mesmo aprendam com esse conteúdo? Existem diferentes tipos de informações. Às vezes, pode ser um comunicado mais institucional, um convite de inscrição para um webinar ou até mesmo dicas de segurança em tempos de pandemia. O primeiro impacto é o visual e ele trabalha em conjunto com o conteúdo.

Em meados dos anos 90, Bill Gates escreveu o artigo intitulado “O conteúdo é rei”, que revolucionou o mundo do marketing. Ele relatou que uma boa produção de conteúdo é o que vai aproximar qualquer instituição das pessoas (seus públicos de interesse). Partindo dessa premissa, nenhum rei via querer morar num castelinho de areia. Daí vem a importância de uma identidade bem executada em todos os seus campos: design gráfico, digital, audiovisual, sinalizações, ambientações e por aí vai. Um verdadeiro castelo imponente!

No campo da comunicação corporativa, a identidade é o primeiro impacto que a pessoa tem quando recebe um conteúdo. Em meio às possibilidades que um manual de marca permite, o designer é quem ajuda a definir o impacto que um tema pode ter, seja em um comunicado do dia a dia, seja para promover diversidade e inclusão, sustentabilidade ou cultura organizacional. Tudo precisa de uma identidade única e forte. Afinal, tudo comunica: desde a escolha das fontes certas, cores equilibradas e fotos que darão uma visão especial ao tema.

Aquele sentimento de bater o olho e já reconhecer de onde veio aquele material, ou qual é o assunto que ele traz, é o que um designer deve buscar em suas entregas. Uma empresa pode ter trinta benefícios diferentes e, mesmo assim, os colaboradores podem não conseguir enxergar a conexão entre eles. Uma identidade visual pode proporcionar essa integração e mostrar que tudo isso faz parte de um único propósito, reforçando a ideia de one company, gerando valor e contribuindo até mesmo com o EVP. Mas isso é conversa para uma outra oportunidade… ????

Escrito por
Marcelo Ramos, Coordenador de Criação