A importância das cores na criação

Imagine uma situação: você saiu do trabalho, faminto. Entrou em um restaurante do McDonalds e pediu um lanche, uma batata e um refrigerante. No período em que estava à mesa apreciando sua comida, já pensava em pedir algo a mais do cardápio, pois sua sensação de fome parecia não diminuir. Ao seu intorno, as paredes com as cores características da rede de fastfood gritavam “Vamos! Só mais uma batata. Não quer? Libera essa mesa aí, então! Tem mais gente querendo comer”.

Pode parecer engraçado, mas você sabia que as cores tem um poder de influência sobre a mente humana? Em seu livro A psicologia das cores (2014), a psicóloga e especialista em cores Eva Heller explica que cada cor pode produzir um efeito diferente. É o que e chama de acorde cromático, que acontece quando uma cor está mais frequentemente associado a um sentimento. Essa teoria aplicada a criação gráfica funciona estratégicamete no processo de convencimento de informações ou valores, que uma peça ou marca deseja transmitir. Heller é incisiva “usar as cores de maneira bem direcionada significa poupar tempo e esforço”. E convenhamos: ninguém gosta de perder tempo, não é mesmo?

Tendo isso em mente, reforço a importância ao profissional de criação no estudo das cores ao criarem suas peças, campanhas ou marcas. Atenção redobrada nos logos. Estes são os signos que ficam na memória dos consumidores. Quando mal construídos, podem ser efêmeros ou se associarem a valores inapropriados a marca. Vamos seguir com o exemplo do McDonalds: se o designer tivesse aplicado roxo ao invés do amarelo nos arcos da marca, mesmo conhecendo já sabendo do histórico da marca, seria estranho, não? Isso porque com o amarelo tenha a ligação visual com as batatas famosas da rede e também pois ele é a cor da impulsividade. Junto ao vermelho, que é uma cor recorrente a felicidade, mas ao estado de alerta, temos a combinação perfeita de sensações para uma rede de comida rápida: comer impulsivamente, ficar feliz com isso e em um curto período de tempo.

Criar é um processo que leva tempo e não é mecânico, como apertar uma porca de parafuso. Requer tempo, estudo e para atingir o nível de genialidade, 10% de inspiração e 90% de transpiração, como dizia já Thomas Edison. Estar por dentro de teorias como essa nos ajudam na acertibilidade dos nossos trabalhos e na eficiência de nossas criações. Boa criação!


Escrito por
Marcelo Ramos, designer – Qualicom.